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quinta-feira, 29 de junho de 2017

"As pessoas divinizam São Pedro no cotidiano", diz estudioso; leia entrevista

Professor de Geografia Cultural da Uneb, Jânio Roque de Castro, revela tudo sobre São Pedro e as características de seus festejos; veja entrevista abaixo
(Foto: Acervo Pessoal)

Por que São Pedro é o único que consegue “dar testa” a São João em algumas cidades? Jânio Roque de Castro: Quando a gente discute algo que tem como pano de fundo uma questão religiosa, a gente vai buscar o que a gente chama de mito de origem. No caso de São Pedro, a gente tem que buscar alguns elementos históricos. Tanto para o catolicismo oficial, quanto para o catolicismo popular, Pedro é uma figura importantíssima. Pedro foi um importante apóstolo de Jesus Cristo. O primeiro papa.

A Igreja Católica diz que Jesus delegou a ele a tarefa de ser o primeiro papa. Para a Igreja, Jesus passou o bastão para Pedro. Então, para o contexto da Igreja, Pedro é uma figura importantíssima. Para o catolicismo popular,  também é muito importante.
Entra a dimensão mítica de que São Pedro é aquele que tem a chave dos céus.  E ainda tem outra coisa: o responsável por mandar chuva é São Pedro. As pessoas divinizam São Pedro no seu discurso cotidiano. Isso se construiu ao longo da história.
Quer dizer, o cara tem a chave dos céus, o cara tem o poder de controlar a chuva, o cara é um respeitado apóstolo de Cristo, o primeiro papa. Quer dizer, o cara é forte.
E por que, apesar disso, o São João é muito mais forte na maioria das cidades?
O culto a São João está relacionado à questão festiva. São João, no ato do seu nascimento já teve festa. Quando ele nasceu, uma fogueira foi acesa. É o único santo em que se comemora o nascimento. Os outros todos são homenageados na data da morte.  É o São João menino, o São João do carneirinho. Já São Pedro está mais relacionado à questão sagrada. É um santo mais sério. 
Mas em algumas cidades São Pedro fecha o ciclo junino com chave de ouro? Por quê?
No caso de uma cidade como Muritiba, por exemplo, São Pedro é o padroeiro da cidade. Aí você tem a festa na dimensão religiosa, dentro da igreja, com novenas e missas. Mas quando você junta isso ao investimento na festa, a coisa cresce. É o que fazem algumas prefeituras.
Para não concorrer com o São João forte de cidades vizinhas, pegando o gancho do padroeiro e muitas vezes nem isso, alguns gestores investem no São Pedro.  É uma forma de alavancar o turismo sazonal junino. O nome do santo aparece por detalhe.
Tanto que, nem sempre o santo que tem popularidade do ponto de vista social, tem popularidade do ponto de vista festivo. Quer ver um exemplo? Se você me perguntar quem é o mais popular dos três santos de junho. Eu te digo: Santo Antônio.
Santo Antônio é o mais conhecido, o que tem mais quantidade de capelas, de festas. Cidades com nome de Santo Antônio são muitas. Mas se você me perguntar de quem é a festa mais ampla, mais espetacularizada? São João.


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