.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Dissertação será defendida em brega de Cachoeira; “Confesso que estou com medo da repercussão”, diz mestranda

Uma mestranda de uma instituição de ensino superior pública federal na Bahia decidiu defender a dissertação do mestrado em Ciências Sociais numa chamada “casa de tolerância”. O feito inédito na Universidade Federal do Recôncavo Baiano vai ser realizado no dia 5 de julho, a partir de 14h, no Brega de Cabeluda, em Cachoeira, a 110 km de Salvador.
A notoriedade que o fato ganhou assusta a pesquisadora. “Confesso que estou com medo dessa repercussão. ´Cabeluda´, apesar de ser pública e conhecida por muitos, possui uma vida muito reservada”, pondera Gleysa Teixeira Siqueira, formada em História pela UFRB e que agora tenta o título de mestra em Ciências Sociais.
Apesar de discreta, “Dona Cabeluda” é figura fólclorica no município de 35 mil habitantes, segunda capital do estado da Bahia, que se transforma em sede do governo todo 25 de junho. Elevada a cidade em 13 de março de 1837, por decreto imperial, Cachoeira se orgulha do Samba de Roda Suerdieck, da Irmandade da Boa Morte, e da Ponte Imperial Dom Pedro II, que liga à vizinha São Félix.
Nesse entreposto de história e cultura, a cafetina que se transformou em entidade respeitada em toda a região, com um apelido associado a uma figura peculiar de matrona.
A dissertação se chama “Uma história de Cabeluda: mulher, mãe e cafetina” e a sugestão de apresentar no meretrício partiu do orientador, o doutor Osmundo Santos de Araújo Pinho. A banca terá outros dois doutores, Wilson Rogério Penteado e Lina Maria Brandão de Aras. Nascida em Cachoeira, Gleysa é formada em História pela Universidade Federal do Recôncavo Baiano e mestranda em ciências Sociais pela UFRB.
“Trabalhar com o tema da prostituição foi a tentativa de olhar para a História Local por outro foco. Comungo do pensamento da teoria dos grupos subalternizados, dos excluídos, marginalizados socialmente, logo, busco dar visibilidade a um indivíduo que pertence a essa categoria, principalmente por ser mulher, pois meu estudo inscreve-se nos estudos do gênero feminino no Brasil”.
No segundo semestre de 2011, o então delegado da cidade, Laurindo Neto, chegou a decretar uma guerra contra os estabelecimentos da Rua do Brega. Segundo ele, o meretrício servia para abrigar, entre os clientes, suspeitos de tráfico e líderes de quadrilhas.
A respeito do evento do próximo dia 5, na casa de número 12 da Rua Sete de Setembro, em Cachoeira, Gleysa não sabe se isso vai afetar a clientela – positivamente ou negativamente. “Não tenho noção de como as coisas irão acontecer, porque é inédito. Acredito que não será algo tão a rigor”.

0 comentários:

Postar um comentário