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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Estudante secundarista Ana Julia ressalta importância da juventude durante palesta em Cruz das Almas

“A partir de agora a juventude não pede mais licença para ser convidada aos espaços, a juventude não implora mais por favor por uma mesa para a juventude, uma cadeira para a juventude falar, 15 minutos para a juventude expor suas ideias; a juventude está se impondo cada dia mais, e está se empoderando, não está mais pedindo licença por um espaço que já é dela”, essas foram palavras da estudante secundarista Ana Julia, 17 anos, durante o IV Festival da Juventude, em Cruz das Almas, na tarde desta quarta-feira (16). 

Conhecida por ser a garota que defendeu as ocupações das escolas em 2016, como uma manifestação contra as propostas do Governo Federal, diante dos deputados na Assembleia Legislativa do Paraná, Ana Julia contou como foram os dias que passou dentro da instituição de ensino. “Esse movimento começou a incomodar o governo, pois o Enem foi cancelado, eleições municipais aconteceram em mercadões, e nós começamos a construir um novo sentido de pedagogia, onde a juventude não quer ser apenas mão de obra, mas quer se desenvolver, quer cultura e arte”, disse. A estudante revelou ainda as dificuldades durante a ocupação. “Foi um período muito difícil, a gente desenvolveu vários problemas psicológicos, víamos a polícia batendo no portão da escola toda hora, a gente não dormia porque tinha gente que jogava bomba na escola, e depois de tanto tempo você volta para a sala de aula e ela continua da mesma forma de antes”, completou. 

Mesmo com apenas 17 anos, a jovem criticou as abordagens da polícia militar e defendeu a desmilitarização das polícias. “Quando a polícia militar obriga um menino de 15 anos dormir em uma cela com vários homens adultos apenas de cueca, isso é tortura. Quando obrigam esse mesmo menino a comer suas próprias fezes, isso é tortura. Quando você pega um menino no metrô de São Paulo e leva ele até a última estação, espanca ele e deixa sangrando para ver se vai morrer, isso é tortura. Então o que a polícia militar faz hoje com a juventude é torturar e matar. A gente tem que lutar cada vez mais pela desmilitarização da polícia, do jeito que está não dá para continuar, nós estamos sendo mortos todos os dias”, protestou.

Por fim, Ana Julia fez o seguinte questionamento para os jovens: “A questão é que eles não venceram e não vão vencer. O sinal não está fechado para nós, mas eles querem fechar. Mas eu pergunto para vocês: vocês vão deixar?”, concluiu.

Por: Diego Azevedo |Foto: FORTE NA NOTÍCIA.

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