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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Ansiedade em excesso é uma doença; saiba sintomas e como tratar

Você sofre por antecipação? Acorda cansado? Sente um friozinho na barriga na véspera de eventos importantes? Tem dores de cabeça ou musculares? Se respondeu sim a alguma dessas questões é possível que sofra da Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA). Considerada pelos especialistas como o novo mal do século – suplantando a depressão – a ansiedade contínua acomete crianças e adultos. No Brasil, mais de 2 milhões de pessoas sofrem do distúrbio de saúde mental por ano.
Preocupar-se com o futuro não é uma coisa ruim – afinal, isso faz parte do nosso sistema de defesa. Fato é que todo mundo é ansioso em maior em menor ou maior grau. O problema é quando os sintomas aparecem sem motivo aparente e são constantes.
O diagnóstico só pode ser feito por um especialista – clínico geral, psicólogo ou psiquiatra – mas saiba que medo, inquietação, taquicardia, falta de ar e aumento da pressão são alguns sinais de ansiedade patológica. “É quando o cérebro faz contato com uma imagem, não distingue se é real ou imaginação e começa a reagir à situação”, completa Ana Lúcia. Segundo ela, isso piora no caso dos jovens, pois além das pressões do mundo contemporâneo, boa parte está sentada na frente de algum aparelho eletrônico, enquanto o organismo está se preparando para lutar contra o perigo.
Além disso, o mundo globalizado e a sociedade moderna – consumista, rápida e estressante – alteram o ritmo das vidas gerando consequências sérias para a saúde emocional. “É difícil encontrar alguém que tenha saúde psíquica plena. Entre as causas da SPA estão o excesso de informação e de atividades, preocupação, cobrança, uso de celulares e de computadores. Adoecemos coletivamente”, garante o psiquiatra Augusto Cury, autor dos best-sellers Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século e Ansiedade 2 – Autocontrole – Como Controlar o Estresse e Manter o Equilíbrio.
Para o médico, pensar demais é uma bomba contra a saúde psíquica: “Grande parte das pessoas de quase todas as idades é acometida em diferentes níveis por ela. Desacelerar nossos pensamentos e aprender a gerir nossa mente são tarefas fundamentais”. Entre os sintomas da síndrome, ele cita a mente agitada, insatisfação, cansaço físico, sofrimento por antecipação, flutuação emocional, impaciência e tédio. Também podem ser sinais a dificuldade de suportar frustrações, dores de cabeça e musculares e déficits de concentração, memória e insônia. Sintomas psicossomáticos, como queda de cabelo, taquicardia, aumento da pressão arterial, também se manifestam. “Ficamos angustiados por circunstâncias que ainda não aconteceram, mas que já estão desenhados em nossa mente. Seu Eu sabota sua tranquilidade”, resume Cury em seu primeiro livro.
Sintomas
O médico divide os portadores da SPA em seis níveis, variando de acordo com os sintomas e sequelas. Se a ansiedade for alta, as consequências podem ser grandes:
Foi quando apresentou alguns desses sinais que o escritor baiano Matheus Rocha, 26 anos, percebeu que a ansiedade o prejudicava. “Tinha insônia, estava muito triste e sentia palpitações no coração. Não queria fazer nada e procurava justificativas para a vida e não encontrava. Isso tudo casou com o término de um relacionamento”, conta ele, que lançou no mês passado o livro Pressa de Ser Feliz. A obra reúne mais de 50 crônicas e ilustrações com frases inspiradoras que ajudam ansiosos a enfrentar os obstáculos que o nervosismo impõe.
“Achei que conseguiria lidar com tudo sozinho, mas não. Depois de conversar comigo mesmo, decidi que precisava da ajuda de um profissional. Foi assim que procurei a terapia e comecei a fazer tratamento”, lembra. Até hoje, as sessões são suas maiores aliadas: “Menosprezam nosso nervosismo, dizem que é normal e que vai passar. É difícil procurar ajuda porque não estamos preparados pra ouvir o que a gente precisa. Tratar ansiedade é um processo de autoconhecimento”.
Como no caso de Matheus, o tratamento para a maioria das pessoas inclui terapia e, em casos específicos, medicamentos receitados por médicos, incluindo antidepressivos. Para além disso, existem cuidados que ajudam a amenizar a ansiedade: evitar o consumo de álcool e de cafeína; manter uma alimentação saudável; praticar exercícios físicos ou atividades que reduzem o estresse, como ioga e exercícios aeróbicos; e fazer técnicas de relaxamento, como respiração profunda e meditação.
Apesar de ainda não ter procurado por especialistas, há pelo menos cinco anos, a produtora cultural Carla Galrão, 26, percebeu que o nervosismo a impedia de fazer muitas coisas. “Sempre fui ansiosa e achava que era normal, que todo mundo tinha isso. Sentia vontade de vomitar toda vez que alguém falava que queria falar algo comigo, meu coração batia rápido… Foi quando uma pessoa me disse que precisava me contar algo e fiquei muito nervosa. Liguei 27 vezes para ela e vi que isso não me fazia bem”, lembra.
Suas crises de ansiedade – que surgem geralmente quando ela tem que tomar alguma decisão ou quando espera respostas decisivas – já chegaram a durar uma semana e evoluir a ponto de serem similares a ataques de pânico. Leia mais AQUI.

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